domingo, 27 de dezembro de 2009

Falta meio e fim em "Do Começo ao Fim"


Estou sendo muito, muito sincero quando digo que fui uma das pessoas mais ansiosas para a estréia desse filme. Meses atrás até coloquei um post aqui sobre ele, assim que começaram a aparecer vídeos no youtube com cenas dos irmãos/amantes.
Muita polêmica depois e inúmeros adiamentos o filme finalmente chegou aos cinemas num circuito maior até do que eu esperava. Fiquei feliz com isso.

Em uma quinta feira na primeira semana de dezembro fui com o Gilmar assistir lá no Espaço Unibanco Augusta o tão comentado e criticado "Do Começo ao Fim" do diretor Aluizio Abranches (Um Copo de Cólera).

Posso dizer com toda a certeza que o motivo que amei determinadas cenas tem um nome: Julia Lemmertz. Mas como ela só está na primeira parte do filme, foi mais difícil gostar do restante.

A estória dos irmãos por parte de mãe, Francisco e Tomás (Lucas Cotrim/João Gabriel Vasconcellos e Gabriel Kauffman/Rafael Cardoso respectivamente criança/adulto) que se descobrem apaixonados um pelo outro quando pequenos e se tornam amantes quando adultos já chegou causando polêmica na Internet por conta do tema incesto ainda ser um tabu.

Até aí o diretor tocar num tema tão espinhoso seria de se esperar um filme denso e difícil. Mas como ele mesmo disse em algumas entrevistas, queria apenas falar de uma estória de amor entre dois homens. Tá, então qual a necessidade deles serem irmãos?

Sim porque no filme, tirando a personagem da mãe (Julia Lemmertz) que protagoniza as melhores cenas do longa, parece que ninguém mais se importa com o fato deles serem irmãos e namorados. Falando sobre a maravilhosa Júlia, repare na cena do hospital quando ela olha através do vidro e vê os dois filhos brincando, trocando carinhos e com um único olhar ela transmite todas as emoções possíveis com um único olhar! Magnífico trabalho de uma grande atriz.

A segunda parte quando eles são adultos e moram juntos como namorados fica muito complicada de acreditar. Todos ao redor acham normal eles serem irmãos e namorados, inclusive o pai (Fábio Assunção) que chega ao ponto de dar conselhos quando os dois estão em crise de casal. O drama do filme na verdade, é focado no fato de Tomás (Rafael Cardoso) ter que ir para outro país durante um tempo para se preparar e participar de um campeonato olímpico de natação e deixar o irmão Francisco (João Gabriel Vasconcellos, dono de um dos olhares mais carinhosos que já vi) sozinho aqui no Brasil. É isso.

Todo o peso do filme está nessa separação que seria bonitinha em qualquer estória de namorados que não tivessem o agravante de serem irmãos obviamente.

Juro que tentei gostar do filme num todo, mas não deu. Tirando as cenas com a mãe e claro, as cenas de pegação e nudez dos irmãos (deliciosos por sinal), nada mais restou. Valeu pela ousadia, quem sabe da próxima vez um roteiro mais consistente ajude.

Como disse um crítico o longa tem um ótimo começo,mas faltou meio e fim na estória de amor desses irmãos. Uma pena.

Se quiserem ver algo bem mais sincero, assista "Starcrossed" do diretor James Burkhammer um curta metragem que conta a mesma estória sobre o amor de dois irmãos mas de forma muito, muito mais densa em apenas 15 minutos.

Clique abaixo e assista !


Starcrossed Parte 1




Starcrossed Parte 2



sábado, 26 de dezembro de 2009

Tudo junto, tudo misturado!


Uma das coisas que guardo desde a adolescência é a maneira como percebo e valorizo as boas companhias. A própria idéia de amizade é um afago no meu pensamento.

Lembro que vários momentos em que me vi na solidão de minhas escolhas, a idéia de ter amigos me confortou e me conforta até hoje.

Acredito que não temos um escudo protetor que nos livre de pessoas pilantras ou de mau caráter, mas mesmo essas parecem surgir para nos ensinar a não sermos tão bonzinhos assim e ficarmos mais atentos. Entre tantas oportunidades de conhecermos as pessoas surgem aquelas que nos acompanharão por um longo tempo e nos darão uma satisfação enorme por termos confiado nelas naquele momento.

De uma maneira ou de outra, estamos todos interligados, caminhando, vivendo em busca de alguns ideias em comum : paz, felicidade, bons momentos e conquistas pessoais. Descobrir o que é a felicidade para si tem sido um grande desafio para todos nós.

Nesse ano que está para se encerrar eu conheci pessoas muito bacanas, algumas pessoalmente e outras virtualmente e de todas as formas trouxeram boas surpresas, bons abraços, boas risadas e horas de bate papo apenas para passar o tempo.

Ontem mesmo estava falando com um dos conhecidos virtuais e ele expressou um desejo que percebi como sendo comum para mim também. Poder conhecer pessoalmente aqueles com descubro mais afinidades ao conversar através do MSN ou Twitter.

Mas como muitos são de outros estados isso fica um pouco mais complicado, mas não impossível.

Os amigos que carrego aqui no coração ao longo dos anos e que me conhecem muito bem (e estão inclusos aí meus irmãos) sempre me ensinaram a ver com outros olhos coisas que eu já julgava ter todo o entendimento. São pessoas que me fecham os olhos e me suspiram ao coração. Pessoas que me fazem companhia e que me refresca como uma brisa em dias quentes. Pessoas que me sorriem com a pureza de uma criança, me massageiam o corpo e a alma, me recebem e abrigam.

Aproveitando esse clima de confraternização que o Natal traz deixo aqui meu registro de gratidão por estar vivo e ter pessoas excelentes que se preocupam comigo e me apoiam mesmo nos meus desejos mais loucos. Que possuem uma paciência enorme para me aturar em momentos de euforia extrema e outros de poucas palavras.

Reconheço o bem que as pessoas me fazem. E sempre desejo fazer o mesmo por elas.
(Baseado no texto "Amizade Genuína" de Flávio Kubagawa)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Porque me tornei Bruta Flor....


Eu já havia comprado ingressos para essa peça antes, mas como fiquei "acamado" por conta de uma virose,acabei perdendo o espetáculo.

Uma semana depois voltei ao Sesc com o Gilmar e comprei novamente com a certeza de que já estaria me sentindo melhor e de fato isso aconteceu.

Numa quinta feira meio chuvosa me dirigi ao Sesc Consolação e fui desfrutar de uns momentos de reflexão. Eu havia marcado essa peça também pra reecontrar um carinha que conheci na semana anterior mas não tinha tanta certeza que ele apareceria. E como a razão sempre vence não fiquei surpreso de assistir a peça sozinho como já havia planejado desde a primeira tentativa de vê-la.

Em "De Como Fiquei Bruta Flor/ Espasmos de um Coração Desvairado", a autora Cláudia Schapira constrói dez histórias sobre separação e abandono a partir de dez cenas feitas pelas atrizes Lucienne Guedes e Mariana Senne. Para cada momento, uma atriz lê e dirige a outra na travessia de cada sentimento: loucura, medo da solidão, vazio, perda, morte e renascimento.Cada cena provoca diferentes reações e ações dramáticas que irrompem em dança, canto, choro, prazer, horror e recomeço. Para cooperar com as ações, o cenário funciona como um tabuleiro amoroso, permitindo que as cenas sejam demarcadas por uma planta no chão. Seguindo as regras do jogo, as atrizes-jogadoras criam o enredo final para a história.

As atrizes ainda nos deram a chance de participar de maneira mais efetiva da peça, entregando envolopes de cartas com um papel e um pedaço de lápis, onde deveríamos anotar tudo que quiséssemos ,as impressões do que víamos, o que sentíssemos e qualquer outra coisa, uma palavra, um nome e assim por diante.

Eu aproveitei para expressar um pouco do que sentia naquela noite e assim pegar idéias para escrever esse texto.

Frases como : " Perder de si mesmo...", "Agora que você me deu espaço na tua vida, mudo tudo de lugar mesmo!" e " Quero que você seja muito infeliz no seu próximo relacionamento!" forma algumas que anotei e percebi como um relacionamento tem seu começo,meio e fim. A peça retrata bem os sentimentos e falas sobre o martírio do fim e a busca de um recomeço sozinho mesmo. Renascido como uma bruta flor. Mais sábio,mesmo que ainda ingênuo. Mais forte, mesmo que ainda ferido. Lembrei de um relacionamento meio confuso que tive uns anos atrás (o último,aliás), depois desse preferi me refazer antes de entrar em outra aventura emocional como essa. E hoje após alguns anos já me sinto refeito.
Agora é seguir o que disse o querido Carlos Drummond de Andrade "A dor é inevitável, o sofrimento é opcional..."
Cheguei em casa animadíssimo com a experiência e debati com o Gilmar por horas tudo que vi e ouvi. A cultura realmente é um santo remédio. Nem me lembrei que ainda tava meio ruizinho por conta da virose....

"2012" - Uma noite divertida com minha irmã


Com a ida do meu sobrinho para o Rio de Janeiro com minha mãe, finalmente minha irmã conseguiu um tempo para fazer programas que não envolvessem filmes infantis e playlands...

Nós sempre tivemos uma boa proximidade e muitas afinidades também. Aproveitamos a primeira semana dela e fomos ao cinema, somente eu e ela,como há tempos não fazíamos.

Optamos por assistir "2012" porque sei que ela gostaria de ver um filme desses blockbusters. E eu estava curioso para ver os efeitos tão comentados. E como já imaginava, era somente isso que o filme tinha a oferecer. Excelentes efeitos que ficam melhores ainda no cinema.E só.

De acordo com uma profecia Maia, o dia 21 de dezembro de 2012 marcará um raro alinhamento cósmico que resultará na destruição do planeta. O diretor Roland Emmerich conta com o que há de mais avançado e convincente em termos de efeitos especiais para levar a cabo a profecia dos Maias. Mas assim com nos seus filmes anteriores Independence Day, Godzilla e O Dia depois de Amanhã tudo é muito, muito raso. Inacreditável como filmes assim abusam da paciência do espectador (pelo menos da minha abusou muito) com piadas ditas pelos personagens em momentos como a destruição de cidades e milhões de pessoas sendo tragadas pela terra. o clichê do "herói" da vez vem na pele de Jackson Curtis (John Cusack), autor de um livro que não encontrou muito sucesso e, atualmente, trabalha como motorista de limusine. Com sua ex-mulher, Kate (Amanda Peet), tem dois filhos, Noah (Liam James) e Lily (Morgan Lilly). O fim do mundo ocorre justamente quando o escritor sai para acampar com os filhos no parque nacional Yellowstone, um dos focos de eclosão dos desastres naturais, levando Curtis e sua família a ter seus caminhos cruzados com os cientistas norte-americanos.

E a partir daí dá pra ficar sempre esperando pelas cenas bem realizadas de destruição de lugares conhecidos mundialmente e aguentar os longuíssimos minutos de blá blá blá entre personagens que não fazem a menor diferença se irão viver ou não. Sem falar nas cenas favoritas dos americanos onde os oficiais se abraçam e fazem uma confraternização patética sempre que algo dá certo e com aquela irritante música de triunfo ao fundo.

Mas para dizer algo bom, uma das poucas mensagens que captei, na verdade acho que a única,foi sobre não perder a chance de dizer a quem amamos sempre que pudermos. O pai tentando ligar para o filho com quem não falava há anos só porque esse último se casou com uma japonesa, e ele rudemente havia cortado laços foi a única cena que fez algum sentido para mim. Coisa de 3 minutos. Pena que ainda restaram 150 minutos para nada. Fique com o trailler...já diz muito!

Ah! teve outra coisa, essa excelente. Pelo menos minha irmã foi comigo e tivemos uma noite muito agradável com direito a café após o cinema e tudo mais. Isso sim valeu a pena!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Poucas palavras...


Quando me sinto perdido é que tenho conseguido as melhores chances de refazer alguns caminhos. Parece estranho né?

Mas faz um sentido enorme para mim dizer isso. Em meses de confusão e de acontecimentos atropelados, nada melhor do que parar, olhar ao redor, sentar, rir, chorar, se esforçar e seguir em frente.

Uma coisa posso constatar com facilidade. Tenho amadurecido através de algumas atitudes e percepções mais firmes.

Gosto de observar as pessoas ao meu redor e tirar lições de vida aqui e ali.

Falar , para algumas pessoas hoje, virou sinônimo de teclar e trocar emoticons. Confesso que isso muitas vezes me preocupa e fico me observando para detectar se estou mais lá do que cá. Quero dizer, mais lá no mundo virtual do que no real.

Tenho conversado com algumas pessoas e vez ou outra escuto estórias estranhas sobre relacionamentos arrebatadores, brigas homéricas e reconciliações sobre pessoas que nunca se viram.

Enquanto isso do lado de cá tenho acompanhado alguns relacionamentos bacanas e outros nem tanto.

Ainda aposto na conversa e na franqueza como saída para a melhoria de qualquer relacionamento. Seja ele amoroso ou apenas social. Sentar para tomar um café que seja....

Eu tenho experimentado isso ultimamente. Tenho procurado ser o mais sincero e direto que posso. Me cansa ter que ficar advinhando ou supondo o que a outra pessoa quer dizer.

Sendo direto pelo menos, garanto a minha parte numa relação. E assim, nesses dias tão confusos, vou aprendendo que vale a pena se envolver. Afinal estamos vivos não é?

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Escuta, Zé Mané!


Mesmo após quase 3 dias com uma infecção que insistiu em me atormentar, na sexta feira já estava me sentindo um pouco melhor e consegui ir com o Gilmar assistir a peça "Escuta, Zé Mané!" lá no Sesc Paulista. Já tinha perdido os ingressos da peça "Bruta Flor" que veria na quinta mas não consegui.

Foi uma noite agradável e tava precisando mesmo de ver algo interessante e que me fizesse sentir parte da cidade novamente...

Na peça, o ator Paulo César Peréio vive um sujeito atormentado pelos seus ''eus''.

O texto, inspirado em "Listen, Little Man!", do psiquiatra austríaco Wilhelm Reich (famoso por ideias libertárias em relação ao sexo, a sentimentos e à política), foi adaptado e transfigurado pelo próprio Peréio. "O que eu quis foi popularizar o Reich. Trazê-lo para perto das pessoas e de questões cotidianas. Também quis mostrar seu lado mais político, que é o que pouca gente conhece, não é?"

O ponto de partida do espetáculo é uma simples palestra, ministrada por um híbrido Peréio/Reich. A partir de determinado ponto, Peréio/ Reich começa a ser assombrado pelos seus outros "eus": o masculino, interpretado por João Velho (filho de Peréio), e o feminino, papel assumido pela atriz Neca Zarvos. Assim, Peréio/Reich constrói pontes entre o psiquiatra, o ator e a história brasileira dos últimos 50 anos.

Os atores João Velho e Neca Zarvos fazem um interessante trio com o grande Peréio. São papéis interessantes e muito sinceros.

A quantidade de idéias, fatos, conceitos e assuntos debatidos no decorrer do espetáculo é incrível. Como comentei depois com o Gilmar, essa peça é uma daquelas que você vai assistindo, ouvindo o que os atores/personagens dizem e vai assimilando de imediato algumas idéias na sua vida. Tudo muito rápido e de forma agradável. Mesmo com temas tão difíceis para serem tratados, a leveza de algumas cenas e o bom humor injetado em algumas falas, tornou tudo mais digerível e de fácil assimilação.

Difícil é esquecer de algumas falas que praticamente colocam o dedo no nosso nariz e dizem : "Escuta aqui,seu Zé Mané.." e por aí destilam vários traumas, preconceitos, dogmas e mesquinharias que carregamos ao longo da vida. Seja por qualquer razão, cultura, ensinamento e crença não vale a pena reproduzirmos atitudes que condenamos em outras pessoas e acabamos repetindo em maior ou menor grau. Se puder vá assistir...Uma boa experiência!


domingo, 29 de novembro de 2009

Irina Palm - Quase um mês depois....


Eu desaprendi a escrever no meu prórprio blog....como isso é possível? Será que alguém consegue explicar tal feito? Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, preocupações, mudanças repentinas de planos, tudo isso e mais algumas coisas devem ter contribuido para meu abandono.

Mas eis que em um sábado como esse em que minha saúde ficou um pouco comprometida, obrigando-me a ficar em casa, estou aqui tirando uma disposição sabe-se de onde para continuar aquio que comecei a mais de um ano...Manter meus registros em ordem, contar meu cotidiano, exorcizar meus fantasmas, dar meus gritos, exalar meu perfume, opinar, reclamar e por fim admirar a vida que pulsa aqui dentro de mim.
Vou recuperar um pouco de onde parei. Como já tinha começado esse assunto, melhor dar continuidade né?
Esse foi um dos filmes que vi recentemente e que me deu fortes impressões sobre como o falso moralismo e a hipocrisia causam problemas seríssimos.

Em Irina Palm acompanhamos a inacreditável estória de Maggie (Marianne Faithfull), uma mulher de cerca de 50 anos que precisa conseguir dinheiro para o tratamento de seu neto Ollie (Corey Burke), que possui uma rara doença. Maggie, depois de vender sua casa, procura trabalho desesperadamente e acaba aceitando trabalhar em um sex club do subúrbio londrino. Seu mais novo trabalho é a mais incomum das atividades (pelo menos para mim), ficar masturbando homens através de um "buraco" na parede. Em poucos tempo seu trabalho "manual" conquista vários clientes e ela se transforma na principal atração do local e trabalha cada dia mais. Nesse meio, Irina Palm, nome artístico recebido por Maggie, conhece Mikky (Miki Manojlovic), dono do Sexy World; aos poucos, ele se transforma numa estranha surpresa na vida da protagonista.
Por mais chocante que pareça a premissa da trama, digo-lhes que foi um dos filmes mais sensíveis que assisti nos últimos meses. Valores familiares, amizades verdadeiras, moralismo e amor pelo próximo são assuntos mais do que discutidos ao longo do filme e no final fica aquela sensação de querer que o mundo realmente seja mais tolerante e que as pessoas prestem mais atenção aos seus sentimentos. E isso não é pouco...